TEATRO POEIRA
29 OUT a 20 DEZ
QUI a SAB 20h / DOM 19h
O texto da peça nasce de uma experiência pessoal de sua intérprete-autora para propor uma investigação sobre o peito feminino, padrões de identidade e a memória. A produção é de Luiza Mariani e Pablo Sanábio
O peito feminino nunca foi apenas uma parte do corpo. Sagrado e censurado, desejado e rejeitado, símbolo de maternidade, sexualidade, beleza e doença, ele carrega as marcas dos diferentes olhares que a sociedade lançou sobre o corpo da mulher ao longo dos séculos.
A peça O que meu peito carrega sobre mim entrelaça essa história coletiva à experiência íntima de uma atriz que, desde os 19 anos, teve seu corpo sucessivamente transformado: uma cirurgia para diminuir os seios, a maternidade e a dificuldade de amamentar, próteses de silicone, o diagnóstico de câncer, a mastectomia e a reconstrução da mama.
Entre a Nossa Senhora que amamenta e a mulher contemporânea diante de uma mastectomia, o espetáculo atravessa desejo, vergonha, maternidade, sexualidade, padrões de beleza, doença e sobrevivência para perguntar: o que eu carrego no peito — ou o que o peito carrega sobre mim?
O ponto de partida do texto é o diagnóstico de um carcinoma na mama — e as quatro cirurgias que a atriz atravessou — para investigar o que o peito feminino carrega: corpo, identidade, memória e os sentidos que cada época lhe impôs.
Do relato mais íntimo, a peça abre caminho para uma investigação sobre a relação entre o peito feminino e a sociedade. Enquanto revisita sua história, recolhe os significados atribuídos ao peito ao longo do tempo — da Deusa Diana de Éfeso às amas de leite do Brasil colonial, da caça às bruxas na Inquisição ao boom do silicone nos anos 90 -, expondo como o desejo, a expectativa e a norma se inscrevem nos corpos das mulheres.
“Em novembro de 2024, descobri um carcinoma na mama esquerda — a mesma mama que amamentou às turras duas crianças, a mesma mama que já havia passado por duas cirurgias estéticas na juventude. Diante desse acontecimento, surgiu a necessidade de escrever. A escrita nasce como fluxo, como desejo de cuspir uma história que ainda estava entalada no peito. Não havia, no entanto, nenhuma intenção de transformá-la em teatro. Em fevereiro de 2025, para finalizar o tratamento, precisei me submeter a uma mastectomia dupla — tirei as duas mamas. Fui então me dando conta de que passei a vida inteira negociando
com o meu peito: grande demais, pequeno demais, caído demais, doente demais. Quatro cirurgias, cinco peitos diferentes ao longo da vida. Daí nasceu o desejo da peça — de contar uma história para além da doença, para além de mim. Por que será que passei uma vida em guerra com o meu peito? Será que toda mulher tem uma história para contar sobre o próprio peito? E os homens? De onde vem a nossa relação com o peito feminino?”, indaga a atriz.
O solo parte de uma experiência singular para tocar, de peito aberto, no que pertence a todos: a finitude, o desejo, a transformação do corpo e a liberdade de expor, sem medo, o que carregamos no peito.
“Fazer essa peça me instigou pelo tema que o texto propõe e abre muitas possibilidades de encenação. O peito nunca foi apenas uma parte do corpo. Foi — e continua sendo — um símbolo sobre o qual cada época projetou seus valores, seus desejos, seus medos e suas interdições. Estamos engessados dentro de um modelo de consumo, guiado por uma razão mercadológica e moral. E este trabalho nasce do encontro entre essas duas dimensões: de um lado, a história e a simbologia do peito feminino através dos séculos; de outro, a experiência concreta de uma mulher cujo corpo foi sucessivamente transformado por seus próprios desejos, pelos padrões de cada momento, pela maternidade e pela necessidade de sobreviver”, acrescenta a diretora Bia Lessa.
Sobre a escolha da diretora, Luiza conta: “Pensei no nome da Bia, porque eu queria ser provocada, conduzida para além da obviedade sugerida pelo texto. Queria ser convocada a pensar para além de mim, para além daquilo que eu, de alguma forma, já conheço e sei fazer. Bia é uma provocadora alegre, ousada e afetuosa”.
Luiza escolheu também o produtor Pablo Sanábio para ser seu sócio neste projeto, e o produtor se conectou imediatamente com a temática. “O câncer é um assunto que faz parte da minha vida. Tive um câncer na cabeça e hoje sou um paciente em remissão, então, quando a Luiza me convidou para ser sócio dela no projeto, era impossível dizer não. Primeiro, pela importância e pela potência desse tema, que nos atravessa de tantas maneiras. Depois, pela minha profunda admiração pela Luiza, pela coragem e pela força com que ela transforma uma experiência tão íntima em arte, reflexão e diálogo. E, também , pela oportunidade de estar ao lado da Bia Lessa, uma artista que admiro tanto. Fazer parte de O que meu peito carrega sobre mim é, para mim, também uma forma de celebrar a vida, a arte e a possibilidade de transformar experiências difíceis em encontros e afeto”, conta Pablo.
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EQUIPE
Uma produção de LUIZA MARIANI e PABLO SANÁBIO
Texto e atuação LUIZA MARIANI
Concepção e direção geral BIA LESSA
Atrizes convidadas DANI KUPEK e ERIKA MADER
Geografia cênica BIA LESSA com colaboração de CAMILA TOLEDO
Colaboração (direção de arte, vestimenta e projeto gráfico) OSKAR METZAVAH e JULIANA SUASSUNA
Trilha sonora e design de som DANY ROLAND
Direção de produção ROBERTA DIAS
Produção executiva ADASSA MARTINS
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CAPACIDADE: 175 espectadores