TEATRO POEIRINHA
08 SET a 21 OUT
TER e QUA 20h
Com direção de Wellington Fagner, montagem ganha sua primeira temporada após ter feito circulação no estado do Rio e turnê em Portugal
Marco fundador do teatro épico no Brasil, a obra “Revolução na América do Sul”, do dramaturgo, diretor e ensaísta Augusto Boal (1931-2009), ganha nova montagem sessenta anos após sua estreia no Teatro de Arena. Sob direção de Wellington Fagner, o espetáculo não apenas revive o texto clássico de Boal, mas o reinterpreta para o contexto atual. Depois de apresentações em diferentes cidades do Rio de Janeiro e de uma turnê por Portugal, a peça estreia agora em temporada: de 8 de setembro a 21 de outubro de 2026 no Teatro Poeirinha, com sessões às terças e quartas-feiras, sempre às 20h. A realização é do Instituto Augusto Boal.
O projeto surgiu em 2019, quando a psicanalista Cecília Boal – viúva do diretor e pessoa à frente do instituto dedicado a preservar e difundir seu legado – assistiu a uma leitura da peça dirigida por Fagner. Entre os convidados estava o diretor Aderbal Freire-Filho, que manifestou seu desejo de levar a montagem para o Teatro Poeira. Mas a pandemia mudou os planos: a peça estreou primeiro no formato on-line, conquistando uma indicação ao 16º Prêmio APTR na categoria Jovem Talento. Em seguida, ganhou a estrada, com apresentações por cidades do Rio de Janeiro e de Portugal, até chegar à sua primeira temporada no Poeirinha.
“Revolução na América do Sul” foi uma das primeiras peças nacionais a colocar a classe trabalhadora no centro da cena sob a ótica da luta de classes. A montagem acompanha a saga do operário José da Silva, um representante do povo em busca de uma solução para a fome que o devora. Nesse itinerário, o protagonista mergulha num Brasil contraditório, permeado por caricaturas políticas e sociais – e por meio de uma sátira política atual e carnavalizada, revela as engrenagens opressivas de um sistema que, mesmo com nova roupagem, continua perpetuando a desigualdade. O elenco é formado por Cássio Duque, Junior Melo, Letícia Ambrósio, Levi Duarte, Nathália Cantarino e Ritiele Reis.
Criada originalmente para relatar a luta de classes nos anos 1960, a obra agora dialoga com realidades contemporâneas, como a precarização do trabalho e o fenômeno da “uberização”. “A montagem busca atualizar o clássico de Boal entendendo que, embora o texto original seja datado em seu contexto histórico, a encenação e as dores da classe trabalhadora permanecem urgentes”, diz Wellington Fagner.
“Na direção, aposto em recursos cômicos, paródicos e musicais para tratar de temas trágicos, gerando uma reflexão crítica por meio do humor e da estética popular. Utilizo também elementos do teatro de revista, como as cenas de passagem e da paródia política. Os personagens não possuem profundidade psicológica realista: são ‘tipos sociais’, caricaturas que expõem o funcionamento do capitalismo e das eleições”, afirma o diretor.
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EQUIPE
Texto: AUGUSTO BOAL
Direção geral: WELLINGTON FAGNER
Elenco: CÁSSIO DUQUE, JUNIOR MELO, LETÍCIA AMBRÓSIO, LEVI DUARTE, NATHALIA CANTARINO e RITIELE REIS
Adaptação de texto: ELENCO, MARIA AZEVEDO e WELLINGTON JUNIOR
Dramaturgismo: WELLINGTON JUNIOR
Direção musical: VINÍCIUS MOUSINHO
Letras e canções: FRANCISCO DE ASSIS
Cenografia: SOFIA MAGALHÃES
Assistentes de cenografia: MALU GUIMARÃES e LETÍCIA FIGUEIREDO
Cenotécnico: CLÁUDIO ROBERTO
Assistente de cenotécnico: KIKO GUIMARÃES
Figurinista: LARA BEZERRA
Assistente de figurinos: ELEN CARVALHO
Costureiras: VICENTINA MENDES DA SILVA e MARLETE SOARES ANTUNES
Visagismo: FELLIPE ESTEVÃO
Iluminação: RICARDO ROCHA
Designer: SAMUEL SANTIAGO
Gestão de projeto: CÁSSIO DUQUE, JUNIOR MELO, WELLINGTON DE OLIVEIRA e WELLINGTON FAGNER
Produção: WDO PRODUÇÕES
Direção de produção: WELLINGTON DE OLIVEIRA
Produção executiva: DANIELE MUNIZ
Realização: INSTITUTO AUGUSTO BOAL
Idealização da temporada: CECÍLIA BOAL e JULIAN BOAL
Assessoria executiva: CONSTANÇA CARVALHO
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SERVIÇO
DURAÇÃO: 100 minutos
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 12 anos
CAPACIDADE: 50 espectadores