TEATRO POEIRA
06 JUNHO a 28 JULHO
quinta à sábado 21h
domingo 19h

A peça Antígona traz Andrea Beltrão como a personagem-título da trama: uma jovem princesa que enfrenta a ordem do rei Creonte de deixar seu irmão, que lutou na guerra, sem sepultura. Ao desobedecer a determinação real, ela paga com a própria vida. É estabelecido, então, o confronto entre o Estado e o cidadão.

 A história se passa em Tebas e foi escrita há 2.500 anos por Sófocles. Fez tanto sucesso na época que o público ateniense ofereceu ao autor o governo de Samos, uma das ilhas gregas. Na Antígona de Haddad e Andrea, ao contrário do autor original, que partiu do mito já conhecido para o teatro, parte-se do teatro para chegar ao mito que dá nome ao espetáculo.

 “Todos esses mitos que povoavam o imaginário grego, como Antígona, faziam parte do dia a dia do povo, funcionavam como um bem público”, analisa o diretor assinalando que, quando o teatro se estabeleceu, naquele tempo, como uma forma de expressão artística, todos já conheciam o que seria representado. “Sófocles se apoderou da história e escreveu esse texto. O que Andrea e eu fizemos foi partir das informações da peça para chegarmos ao mito.”

 Na opinião da atriz, um texto clássico, como este não é de interpretação complicada. As narrativas embaralham as emoções por ir direto ao coração, à memória, e aos sentimentos. “Como um texto escrito há 2.500 anos pode falar exatamente sobre o que eu sinto agora? Não é a gente que lê o texto da tragédia grega, é a tragédia grega que lê a gente, por isso não precisamos ter medo de não entende-la. Faz parte de nós, enriquece, questiona, exige que tentemos mais uma vez”, analisa.

 Para ela e o diretor, essa montagem transpira atualidade gigantesca. “Fala da liberdade do cidadão diante do poder do Estado, e de como isso atinge a vida mais ancestral do ser humano”, observa Haddad. “A peça se dá nessa reflexão feita por ator e público sobre a história, por meio de uma excelente narradora, que é a Andréa. ”

 Em diálogo com a plateia em ritmo acelerado, conectado ao movimento do mundo contemporâneo, a atriz se utiliza de recursos mínimos, como uma echarpe vermelha ou um casaco, para desenrolar a trama e, assim, ir povoando o palco com os personagens interpretados por ela mesma. Andrea os apresenta, quase que didaticamente, antes de representa-los, permitindo ao público adensar o seu conhecimento da história e traçar paralelos com a atualidade.

 Igualmente, a cenografia apresenta linguagem moderna e reforça a atuação da artista entre os atos de narrar e representar este mito, em cenas que se desenvolvem diante de uma espécie de árvore genealógica, em forma de mural. Uma cadeira, uma escada, uma mesa e um amplificador para o som com microfone, complementam o cenário.  A proposta é restaurar a força popular do teatro.

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de Sófocles
tradução: Millôr Fernandes
direção: Amir Haddad
dramaturgia: Amir Haddad e Andrea Beltrão
textos complementares: Andrea Beltrão
iluminação: Aurélio de Simoni
figurino: Antônio Medeiros
direção de movimento: Marina Salomon

ambientação e projeto gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque (cubiculo)
trilha sonora: Alessandro Persan
operador de luz e som: Bruno Aragão

produção: Boa Vida Produções Artísticas
realização turnê: Trígonos Produções Culturais

CLASSIFICAÇÃO: 14 anos
DURAÇÃO: 60 minutos